31 de Outubro de 1999, Um subúrbio do Bronx, New York
As crianças com os pais e os grupos risonhos de adolescentes iam e vinham pela rua, fantasiados. Os humanos estavam alegremente passeando pela iluminada rua principal.
Do teto do prédio residencial, o vampiro assistia e percebia a diferença. Na luz, alegria, mas nas trevas das vielas e becos a história era outra. Os viciados usavam suas drogas, alguém era espancado, ratos e gatos corriam, derrubando latas de lixo.
"Eles desconhecem a real noite das bruxas." pensou Sebastian, dando as costas à avenida. Seu faro poderoso e sua audição revelavam a decadência em cada mínimo detalhe. Gritos de ira e dor, zumbido de moscas, odores pútridos de lixo e sangue velho e seco atraiam sua atenção à contragosto.
Lembrava das suas primeiras noite, da paixão e do romantismo. Desejava resgatar aquele modo de vida, mas precisava primeiro apagar seu rancor, resolver seus próprios erros e complicações.
O corvo levantou voo do local onde antes havia um homem, num farfalhar de asas negras, com um longo e melancólico crocitar rouco.
"O Poder é algo fabuloso. Como um dom divino, para que nós, os vampiros, sejamos capazes de façanhas dignas de verdadeiros deuses. Eu não cairia se atirassem no meu peito. Posso me mover tão rápido que não me veriam, mas o melhor de tudo é voar. Não há sensação melhor, ou algo tão divertido quanto me tornar um pássaro e subir, subir, até as nuvens e ver a terra diminuta lá embaixo."
Sam Cromwell


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