Não quero fazer muitos rodeios, portanto vou fazer uma explicação rápida. Estou lendo O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, para começar um debate filosófico com meu pai e a Aline... Parece coisa bem intelectual, mas segundo as próprias lições dadas à Sofia, deveria ser algo que interessa à todos os seres conscientes, portanto, todos nós, humanos. Acredito que irei fazer muitas citações sobre trechos da história, então quem não quiser revelações sobre o enredo, pule as partes itálicas em azul. Meu curso, no entanto, é baseado neste livro, portanto será difícil acompanhar minha linha de raciocínio sem lê-los, então sugiro que, ou arranje o livro , leia e me acompanhe, nem é muito, dois capítulos por semana, ou leia os trechos sem importar.
"...afinal de contas, algum dia alguma coisa tinha de ter surgido do nada..."
"Assim que Sofia entrou e fechou a porta, abriu o envelope. Dentro encontrou apenas uma pequena folha, não maior que o envelope que a continha. Nela estava escrito: Quem é você?[...]"
Quando confrontados pelas grandes perguntas da filosofia, os homens podem reagir basicamente de dois modos, surpresa e admiração, ou simplesmente a naturalidade, algo como "é porque é". Isso se dá pelo estado de espírito, pois quando o homem já se acostumou ao mundo em que vive, não consegue mais se surpreender com a impressionante realidade do universo, em O Mundo de Sofia, Sofia aprende isso com mensagens enviadas por um remetente misterioso.
Estive pensando na pergunta do quem é você, tanto porque eu aqui no blog posto como Sam, muita gente mundo afora, inclusive de fora do Brasil, me conhece com Cromwell, para eles Samuel Victor Cromwell existe. Mas como Sam poderia existir, se na verdade ele sou eu e eu sou Wellington W. B. Jr?
Acredito, e agradeço a ele por isso, que graças ao meu pai eu pude manter meus olhos abertos para a realidade do mundo, ao invés de voltar meu olhar para as sombras da caverna. Não fosse por isso talvez eu tivesse me tornado alguém de mente fechada.
"Então saltou do banquinho e foi para o banheiro com a carta misteriosa na mão. Parou diante do espelho e olhou-se fixamente nos olhos.
- Sou Sofia Amundsen - disse.
Como resposta, a garota do espelho não teve a menor reação. Não importava o que a Sofia fizesse, ela fazia a mesma coisa. Com um movimento rápido, Sofia tentou se antecipar à imagem do espelho; mas ela foi igualmente rápida.
- Quem é você? - perguntou Sofia.
Também desta vez não recebeu qualquer resposta; por um breve instante, porém, não teve certeza de ter sido ela ou sua imagem no espelho quem tinha feito a pergunta.
Com o dedo indicador, Sofia apertou o nariz da figura do espelho e disse:
- Você sou eu. [...]"
Caso você, ou seu pai, mãe ou irmã, tivesse outro nome, outra cor de cabelo, pele e olhos, continuaria sendo a mesma pessoa que você conhece agora? Caso você se encontrasse consigo mesmo daqui a 10 anos, com cabelo, roupas e estilo modificados, você se reconheceria? Pense nisso, talvez perceba que a sua vida é um pouco mais do que músicas na rádio e aulas na escola...
Você já pensou em ter nascido numa época ou lugar diferente? Imagine, se conseguir, duas situações, em uma, você nasceu na época de seus avós e na outra, você nasce na China. Como poderia continuar sendo a mesma pessoa de agora?
" O outro envelope também trazia o seu nome. Abriu-o e tirou uma pequena folha de papel, igual à primeira, em que estava escrito:
- De onde vem o mundo?
Não faço a menor idéia, pensou Sofia. Mas também ninguém sabe! E apesar disso Sofia achou a pergunta pertinente. Pela primeira vez em sua vida ela pensava que era praticamente impossível viver num mundo sem ao menos perguntar de onde ele vinha.
Sofia estava tão pertubada com as duas cartas misteriosas que resolveu se enfiar em sua caverna. A caverna era seu esconderijo secreto. E ela só ia para lá quando estava muito brava, muito triste ou muito alegre. Hoje ela estava muito confusa."
Um dia desses, estava eu escrevendo, quando minha irmã atravessa a sala e acende a luz. Iluminado (literal e figurativamente), pergunto a mim mesmo:
"Como funciona a luz?"
Me dei conta que, assim como vivemos num universo sem nem tentarmos compreender como ele existe, usamos a eletricidade 24 horas por dia sem nem ao menos compreendê-la. Sabemos, claro, que apertando o interruptor, a lâmpada acenderá, mas por quê? Como?
Até os eletricistas, que vivem disso, não saberão responder como funciona a luz, porque ela acende...
Mas voltando a olhar para uma realidade maior... Essa mesma lógica se aplica ao mundo, em cada detalhe.
" Nas aulas de religião ensinavam a ela que Deus tinha criado o mundo, e agora Sofia tentava se consolar com o fato de que, apesar de tudo, esta talvez fosse a melhor solução para o problema. Mas logo começou a pensar novamente. Ela até poderia se contentar com o fato de Deus ter criado o mundo. Mas e o próprio Deus? Teria ele próprio se criado a partir do nada absoluto? De novo, alguma coisa protestava dentro dela contra essa idéia. Embora não restasse dúvida de que Deus fosse capaz de criar todas as coisas possíveis, dificilmente ele poderia ter criado a si mesmo, sem antes possuir um 'si mesmo' através do qual pudesse criar. E então só restava uma possibilidade: Deus sempre existiu. Mas esta possibilidade ela já tinha rejeitado. Tudo o que existia tinha que ter tido um começo."
Como poderíamos então dar um fim a essa rede interminável de perguntas? A ciência nos diz que o universo surgiu do big bang e a partir daí vem se modificando e expandindo, mas o que havia antes do big bang, por que ele ocorreu? O que serviu de combustível? A religião nos diz que Deus criou o universo, e antes disso teria criado ele a si mesmo? Mas como seria possível? Esta é a discussão que os filósofos fazem ao longo dos séculos, tentando desvendar mistérios que deveriam interessar à toda a humanidade.
Continuarei essa discussão no próximo post, transformando-o em um curso de filosofia.
Créditos: Cromwell


0 comentários:
Postar um comentário