terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma Carta Rasgada

 Sonhei um sonho estranho. Tinha decidido esquecê-lo, pois foi melancólico demais. Só que estava a ler, e escolhi escrevê-lo, não pra postar, mas para que pudesse ler e lembrar daqui a um mês, talvez um ano ou sabe se lá quanto tempo.
  Lembro vivamente que eu estava correndo desesperadamente a buscá-la, mas depois de virar aquela construção antiga de cabeça para baixo, encontro-a e lamento por tê-la encontrado. Estava de volta com quem abandonou. No meu mais puro desacerto. Sumo com a emoção da face, pergunto se as ditas palavras foram em vão, se era mentira. Ela me devolve um baralho, o coringa no topo sobre um Ás de copas rasgado, rasgado e partido no meio do coração, enquanto me fala frases que eu não consigo compreender... "Iludida... esquecido... só... sem superação, sem escolha, sem amor... sem agrado, sem afeto... fim...".
  Volto caminhando, paro num lugar vazio e olho pela janela. Meus amigos estão lá embaixo, sentados em volta de uma mesa de pedra redonda. Penso comigo se teria sido melhor nunca tê-la encontrado, mas infelizmente não consigo afirmar que sim. E enquanto tentava me livrar da dor. Me culpo por ter voltado a ser aquela criatura que pensava e pensava sem nunca agir, aquele vulto sem graça que eu havia assassinado dentro de mim. Daí eu acordo. Tento lembrar que na verdade está tudo bem, tudo encaminhado, tudo feito, só falta ser entregue. Que eu não perdi, nem vou perder. Mas no final eu não consegui uma afirmação, só uma interrogação.É nessa hora que eu percebo. Ainda sou indeciso, ainda me falta iniciativa, preciso de ajuda, mas ninguém pode ajudar, só ela.

Corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que é capaz de agir apesar dele.
 O problema é que mesmo querendo eu não consigo agir. As palavras morrem na garganta, os braços pesam, o brilho no olhar apaga quando não é respondido. É como afundar em areia movediça, mas só posso sair se me der a mão.

Sem adeus, ___

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