segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Iniciação à Poesia

 Agora como meu primeiro e verdadeiro post, venho aqui comentar sobre poesia. Desde os 9 anos eu leio, a partir dos 12 até com uma frequência maior que a de muitos adultos que conheciam meu pai, mas havia sempre uma lacuna, nunca lia poesia.
Numa epifania recente decidi ler A Divina Comédia, de Dante, mas uma folheada me mostrou que eu não estava pronto e aqui estou eu, depois de uma pequena viagem com Cecília Meireles em Antologia Poética, portanto deixo primeiro um poema do qual gostei e logo em seguida uma opinião rápida sobre poesia e Meireles.


Fantasma

Para onde vais, assim calado,
de olhos hirtos, quieto e deitado,
as mãos imóveis de cada lado?


Tua longa barca desliza
por não sei onda, límpida e lisa,
sem leme, sem vela, sem brisa...


Passa por mim na órbita imensa
de uma secreta indiferença,
que qualquer pergunta dispensa.


Desapareces do lado oposto,
e, então, com súbito desgosto,
vejo que o teu rosto é o meu rosto,


e que vais levando contigo,
pelo silencioso perigo
dessa tua navegação,


minha voz na tua garganta,
e tanta cinza, tanta, tanta,
de mim, sobre o teu coração!
 Deixo minha opinião sobre a poesia, essa que por muito tempo me passou para trás, sempre me desinteressando no último momento, e minha idéia sobre ela é muito positiva, quando se lê a poesia simplesmente, ela não passa de palavras numa página, sem vida, sem emoção, sem nada, mas assim também seria se eu me pusesse a ler os grandes livros de romance sem me deixar levar pela história, imaginando o que eu vejo nas palavras.
 No entanto, quando a poesia é lida como deve ser, dando-lhe ritmo como uma música, seja rimada ou não, deixando que ela mostre toda sua sentimental exuberância, característica essa que eu não usaria no dia a dia, mas que é a melhor para definir a poesia, que acima de tudo impõe emoção, ela se torna tão divertida e fluente quanto os melhores romances, levando em conta, é claro, que a poesia é algo muito mais livre e estreito. Não se deve ler um livro de poesia como outro qualquer, mas manter uma linha, seja reta ou não, escolhendo os poemas sobre os quais o assunto interessa e deixando que o poema se expresse, sem dar uma conotação de um capítulo de um livro, mas de um livro dentro de outro.
 Quanto a Cecília Meireles, não posso recitar uma lista de características sobre ela, mas posso dizer que todos os poemas que li, gostei, talvez pelo ritmo dos versos que me lembra a música, em breve poderei dedicar um post completo sobre ela, mas antes terei de explorar um pouco mais dos versos matreiros dos muitos livros que tenho acesso.
Até logo, seja lá quem for, de onde e quando, Sam Cromwell.

1 comentários:

Ledja Brittes disse...

Amei teu blog.!! de+.! bjinhos.!

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